Ao longo
dos últimos anos, diversas companhias do varejo iniciaram projetos piloto em
RFID pelo mundo, com o objetivo de responderem a uma pergunta simples: esta
tecnologia trará o retorno em minhas operações?
Analisando
dados históricos das últimas implantações, incluindo as realizadas pelo grupo
Tyco nos Estados Unidos, concluímos que sim. Basicamente, o retorno sobre investimentos
ocorre em duas bases, já bem definidas e com bom nível de maturidade no mercado:
1. Redução nos Custos gerais da Operação e 2. Aumento em Vendas. Este artigo
explorará estas bases, utilizando informações divulgadas nos principais meios
de comunicação da tecnologia RFID.
Primeiramente,
vamos discutir a redução nos custos gerais da operação. Quando falamos em
custos de operação, tratamos das atividades do varejo referentes à: recebimento
de produtos nos centros de distribuição, separação de pedidos, expedição de
produtos dos centros de distribuição para as lojas, recebimento de produtos nas
lojas, reposição de produtos nos pisos de vendas, inventários nas lojas etc.
Estas atividades são as principais atividades envolvidas em uma operação de
varejo, no que diz respeito ao fluxo de produtos, logicamente.
Abaixo a
base de cálculo que pode ser utilizada, considerando uma média dos resultados
obtidos nos projetos:
- Recebimento dos Produtos no Piso de Vendas: uma operação do varejo, que já utiliza a tecnologia RFID, considerando um cálculo conservador, leva 30% do tempo para ser executada, quando comparada com o recebimento convencional;
- Inventários: o inventário em RFID é 10 vezes mais eficiente que o código de barras. Isto significa que tempo e custo da atividade é reduzido, envolvendo uma quantidade bem menor de pessoas para a execução;
- Reposição de produtos no piso de vendas: com a tecnologia, em média a redução no tempo de reposição, foi de 50%, ou seja, metade do tempo utilizado anteriormente;
- Redução em perdas internas: 10% de redução nas perdas internas. Lembrando que em média, a perda interna representa 40% das perdas totais (exemplo: para uma perda total de 2%, destes, 0,8% são de perda interna);
- Aumento em vendas: dados históricos consideram um aumento entre 3 e 21% em aumento em vendas, dependendo do processo de reposição de produtos. Logicamente, um cálculo mais conservador será mais interessante, ou seja, 3%.
Cada uma
das atividades acima utiliza do trabalho realizado por colaboradores em toda a
cadeia de suprimentos. Um exemplo simples: se um colaborador possui um salário
de R$800,00, isto significa que sua hora (para uma jornada de 44 horas
semanais), custa à empresa R$9,09 (considerando 100% de imposto incidido sobre
o valor do salário, em 176 horas mensais). Uma atividade de recebimento de
produtos, por exemplo, realizada por seis colaboradores e que na loja leva 5
horas, no método tradicional, terá um custo total de R$272,70. Já com a
tecnologia RFID, considerando de forma conservadora uma redução no tempo de
realização da atividade em 70%, terá como custo total R$81,80. Uma economia de
R$190,89 por atividade realizada. Daí vem a pergunta: quantos são os
recebimentos efetuados em todas as lojas em um ano? Nada desprezível não é
mesmo?
Muito
provavelmente o retorno mais importante em uma implantação RFID virá do aumento
em vendas, possibilitado pelo maior controle dos estoques e consequente
reposição mais precisa dos pisos de venda. Logicamente não adiantará ao
varejista apenas conhecer muito bem o que falta no piso de vendas. O mesmo terá
que alocar recursos para realizarem a atividade de reposição de produtos,
inibindo assim as rupturas. Como exemplo, consideremos uma rede de lojas, que
fature anualmente R$ 10 milhões de reais. Um aumento em 3% em vendas, trará um
retorno líquido anual (já extraindo os impostos) na casa de R$180 mil reais por
ano.
Repare
leitor que todos estes números, não consideram a curva de aprendizado,
comumente verificada em qualquer processo, e que aumentará ainda mais os
retornos com o passar do tempo. A própria tecnologia evolui, trazendo consigo o
aumento em produtividade, sem que haja grandes adequações em processos.
É
importante salientar que todos os cases de sucesso, dentre eles, American
Apparel, Macy´s e Marks & Spencer, tiveram a iniciativa de realizarem
projetos piloto, tendo como base alguns processos a serem automatizados em
RFID, para posteriormente, de forma gradativa, migrarem suas operações para a
tecnologia (adicionando novos processos logísticos). Com isso, obtiveram dados
e parâmetros reais para cálculo do retorno sobre investimentos.
O
fundamental é que a tecnologia já está em um nível de maturidade tal, que
permite ao varejista a implantação em fases, diminuindo assim os investimentos
iniciais mas já alcançando os dados e informações necessárias para o cálculo do
ROI.
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